A Morte da Língua Portuguesa: tu Vistes, tu fostes...


Acho agradável, por vezes, sair por aí e ouvir os meus con-cidadãos a falar. Reparei que há um erro comum, em Portugal - há pessoas que trocam a 2ª pessoa do singular e do plural, do Pretérito Perfeito.

Enquanto falava com uma pessoa amiga, fui alvo da seguinte pergunta:

"Vistes o casamento do Alberto do Mónaco?"

Olhei para os lados para ver se estaria alguém atrás de mim; mas não, era eu a única receptora das palavras daquela pessoa.

Um amigo meu, veio-me buscar para irmos a Lisboa e, disse-me:

"Já fostes ao Oceanário? Os teus sobrinhos iriam adorar!"

Lá respondi; mas fiquei a matutar se seria comum este erro. 
Depois de muito perambular pela capital Portuguesa, cheguei à conclusão que, em Portugal, é "normal" cometer este erro. 

Façamos uma pequena revisão da conjugação do Pretérito Perfeito:

Eu vi [fui]
Tu viste [foste]
Ele viu [foi]
Nós vimos [fomos]
Vós vistes [fostes]
Eles Viram [foram]

Se nos dirigimos a 1 pessoa (próxima, íntima), no passado, usamos a 2ª pessoa do Singular do Pretérito Perfeito.
Se nos dirigimos a mais de 1 pessoa, no passado, podemos usar a 2ª pessoa do Plural do Pretérito Perfeito. 

E vocês, já alguma vez ouviram alguém proferir este erro?

Assalto XXIII

Comentários

  1. Max, é um equívoco comum no Brasil também. Em algumas regiões usam o tratamento exatamente da forma aqui pontuada por ti.

    Beijos, querida!

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  2. Oi CB :D!

    Obrigada pelo teu comentário :D.

    Beijoss

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  3. Aqui em São Luís do Maranhão, também é comum usar o tu fostes, tu vistes, mas a utilização soa meio poético mesmo que seja errado.

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  4. Oi Bira :D!

    Um erro poético? Tá certo, compreendo o que queres dizer.

    Muito obrigada pelo comentário e volta sempre :D.

    Um abraço

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  5. No Pará também cometem esse erro!
    Muito bom o seu post! Adorei.


    Abração

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    1. Olá Sílvia :D!

      Parece ser um erro mais comum do que eu pensava :).

      Sílvia, muito obrigada pelo teu comentário e, espero que voltes mais vezes ao Etnias :D.

      Um abraço

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  6. Já não "postas" (conheces esse verbo, também já é comum cá no Brasil) nada em teu blogue? Gostava de ler mais das tuas tão sagazes observações. Também sou desses que gosta de ouvir falar a gente e notar como pronunciam, como articulam, etc. E acho lindo quando vejo "erros" comuns deste lado do oceano serem também comuns do lado de lá. Eles sugerem que, talvez, o erro seja da regra - ora, se tanta gente diz "a gente fazemos", talvez o certo mesmo fosse dizer assim!
    E já que estás em Portugal, tens contato com gente galega? Acho que deveríamos incluí-los na lusofonia!

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  7. Olá Bruno :D!

    Como assim "já não postas nada em teu blogue"? Se te referes à série Morte da Língua Portuguesa, devo responder que o projecto está momentaneamente em pausa: tenho andado pelo estrangeiro, pelo que me fica um pouco difícil controlar as façanhas e tropeços da língua Portuguesa.
    Mas de resto estamos por aqui todas as terças-feiras (que é quando saem os artigos), sem falta :D!

    "Gostava de ler mais das tuas tão sagazes observações"

    Junta-te nós todas as semanas! Como disse, saem artigos todas as terças.

    "Eles sugerem que, talvez, o erro seja da regra - ora, se tanta gente diz "a gente fazemos", talvez o certo mesmo fosse dizer assim!"

    lol compreendo o que dizes, embora discorde.

    A minha base é Portugal, mas agora tenho andado por fora. E não, não tenho contacto com galegos (por agora). Mas concordo que os devessemos incluir na Lusofonia :D.

    Bruno, adorei o teu comentário: muito obrigada :D. E já sabes, volta sempre.

    Um abraço

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  8. Oi Max, é bem interessante esse blog mas em relação a isso creio que não existe erro algum, a lingua existe dessa forma mesmo que a gramática nos mostre a regra dessa forma, não é somente em Portugal que se fala assim, em boa parte dos países onde o Português é usado se fala assim mesmo na escola; creio que nunca ouvi e nunca ouvirei alguém falando "vós vistes" :)

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    1. Olá Anónimo :D!

      Obrigada. Bem, se a gramática (que é a Lei de qualquer Língua) diz que se deve falar de determinada maneira e, as pessoas quebram a lei gramatical (seja por ignorância ou por conveniência) dita o princípio do respeito pelas regras e leis, que essas pessoas estejam erradas.

      LOL Bem, sugiro então que vá à cidade do Porto (Norte de Portugal): lá, ainda falam "vós vistes", "vós sabeis", "vós sois" e por aí adiante :).

      Anónimo, muito obrigada pelo seu comentário :D. Volte sempre.

      Um abraço

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  9. Bom dia,muito bem observado da tua parte :)
    Aqui onde eu moro (cidade de Porto Alegre,no sul do Brasil),um erro comum do povo é falar na segunda pessoa do singular e conjugar o verbo na terceira(exemplo no presente:tu tem dinheiro?),onde tu moras acontece isso também ?

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    1. Olá Guilherme :D!

      Obrigada. Em Portugal algumas pessoas têm este hábito de usar a segunda pessoa do singular e conjugar o verbo na segunda pessoa do plural; mas nunca ouvi nenhum falar do modo que indicaste...

      Guilherme, muito obrigada pela visita e comentário. Adorei :D.
      Volte sempre.

      Um abraço

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  10. Que morte nada, mas uma natural mudança como acontece com tudo o que é vivo.....oxe

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    1. Olá Elzelias :D!

      Concordaria se fosse uma natural mudança para melhor (i.e. evolução) e não para pior (i.e. regressão).

      Obrigada pelo seu comentário :D.

      Um abraço

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  11. conjugação dos preguiçosos

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    1. Olá Anónimo :D!

      Obrigada pelo seu comentário.

      Um abraço

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  12. Infelizmente já ouvi e muitas vezes. É um erro comum.

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    1. Olá Carla :D!

      Pois é...
      Obrigada pelo teu comentário (já posso tratar-te por tu?).

      Beijinhos

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  13. Não vejo como erro!
    Cada estado tem sua forma de falar !!
    Saber qual e o correto ? Ninguém sabe .
    Se em Portugal falam assim , então esta correto já que a língua portuguesa e deles..

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    1. Olá Anónimo :D!

      A gramática é só uma. Agora, na forma oral as pessoas poderão por vezes dobrar as regras (tal como inventar palavras que não existem tradiconalmente, fazer uso de estrangeirismos, criar novas palavras a partir destes etc), mas a conjugação de verbos é sagrada e a concordância é tudo.
      Obrigada pelo seu comentário :D.

      Cumprimentos

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  14. No Brasil, onde podemos dizer, que é uma unidade na diversidade, haja vista que um "falante" da "lusa-mãe" é bem compreendido (pelo menos no falar) de uma vila, no Caburaí (ponto extemo do Norte) ao Arroio Chuí (ponto extremo do Sul). Mas, temos "expressões": em Pernambuco, o "vice" (você viu?), o "ó pá i" (olhem só para isso), entre tantas; no Pará, "égua" (uma expressão que traduz inúmeras situações). Isso, resumidamente, porque teríamos vários dicionários de carioquês, paulistanês, pernambuquês, paraensês, gauchês, e, ainda os falares de cada cidade, a exemplo do pessoal de Florianópolis ("o manezinho da ilha), muitas vezes quase incompreensível. Temos na antiga capital brasileira uma diversidade de regioletos, a exemplo de quem fala em Campo Grande (bairro carioca), encontram-se diferenças linguísticas àquele que fala na Pavuna.

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    1. Olá Anónimo :D!

      Qualquer país é uma unidade na diversidade, especialmente hoje em dia. E o mesmo se aplica na área dos regionalismos de qualquer país; mas isso não altera o facto de se exigir o respeito pela gramática, pelas regras da língua, particularmente na conjugação dos verbos (porque é disso que este post trata).

      Mas já que abordou o regionalismo, uma coisa é a comunicação oral, outra coisa é a comunicação escrita: os regionalismo nem sempre são bem-vindos nesta última. Inclusivé, há pessoas cujo CV foi recusado por causa desse detalhe.

      Obrigada pelo seu comentário. E volte sempre.

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  15. Sim. Reforçando o comentário do amigo Guilherme Alves de Porto Alegre sobre a conjugação errônia do verbo na 3a pessoa do singular do presente do indicativo ao invés da 2a pessoa do singular. É comum em diversas regiões e está definitivamente matando a Lingua Portuguesa. A ponto de ouvirmos jornalistas, apresentadores e até professores - pasmem - falando "você fez", ao invés de "você fizeste". Ficou tão comum que já está ficando estranho quem conjuga o verbo no tempo certo (2a. pessoa do singular).

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